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Consignado 108 meses: quanto custa alongar o empréstimo

Fabíola Carmo6 min de leitura

A cada mês, a movimentação financeira de milhões de brasileiros que recebem seu benefício do INSS aquece o mercado de crédito. É nesse período que muitas ofertas de empréstimos consignados surgem, algumas com condições que parecem muito vantajosas à primeira vista. A possibilidade de alongar o prazo para 108 meses, com carência de até 90 dias, é uma dessas novidades que podem chamar a atenção. Mas será que essa flexibilidade é sempre a melhor opção para seu bolso?

O crédito consignado é uma ferramenta valiosa, mas entender suas nuances é crucial para garantir que ele trabalhe a seu favor, e não o contrário. Vamos juntos desvendar os prós e os contras de alongar o seu empréstimo.

O que mudou no prazo e na carência

As novas regras trouxeram a possibilidade de contratar o consignado 108 meses, estendendo o prazo de pagamento, e também permitiram um período de carência de até 90 dias para o início dos descontos. A ideia é que a parcela mensal fique menor e o tomador tenha um tempo para se organizar antes do primeiro pagamento. No entanto, é importante ressaltar que a redução da parcela geralmente vem acompanhada de um aumento no montante total pago ao final do contrato. A margem consignável, que é a porcentagem do benefício que pode ser comprometida com o empréstimo, permanece em 40% desde maio de 2026, garantindo que o tomador não comprometa uma fatia grande demais de sua renda.

Parcela menor, dívida maior: a conta que ninguém mostra

Alongar o prazo de um empréstimo consignado pode, de fato, diminuir o valor das parcelas mensais, o que para muitos pode significar um alívio imediato no orçamento. Contudo, essa diminuição quase sempre implica em um custo total maior ao final do contrato, pois você paga juros por mais tempo. É um trade-off importante que precisa ser cuidadosamente avaliado para garantir que a escolha seja a mais benéfica para sua saúde financeira.

Simulação: 84, 96 e 108 meses

Para ilustrar o impacto do alongamento do prazo, fizemos uma simulação utilizando a tabela Price, para um empréstimo de R$ 10.000 com a taxa de juros no teto de 1,85% ao mês. Os números mostram claramente como o prazo influencia o valor da parcela e o custo total do empréstimo:

Prazo Parcela Mensal Total Pago Diferença do Total (vs. 84 meses)
84 meses R$ 235,50 R$ 19.781,66 —
96 meses R$ 223,45 R$ 21.451,45 R$ 1.669,79
108 meses R$ 214,64 R$ 23.181,47 R$ 3.399,81

Valores baseados em simulação aproximada com juros de 1,85% ao mês (teto atual), tabela Price e sem considerar a carência. As taxas reais podem variar e ser menores dependendo da instituição financeira. O objetivo é demonstrar a relação entre prazo e custo total.

Perceba que, ao alongar o empréstimo de 84 para 108 meses, a parcela mensal diminui em cerca de R$ 20,86 (R$ 235,50 - R$ 214,64). No entanto, o custo total do empréstimo aumenta em aproximadamente R$ 3.399,81 (R$ 23.181,47 - R$ 19.781,66). É um valor significativo que deve ser considerado em sua decisão.

Carência de 90 dias: fôlego ou armadilha?

A carência de até 90 dias antes do primeiro desconto pode parecer um alívio imediato, mas é crucial entender que os juros continuam correndo nesse período. Isso significa que, ao final da carência, o saldo devedor será maior do que o valor inicialmente contratado, impactando o valor das parcelas futuras e o custo total do empréstimo. Por exemplo, naquela simulação de R$ 10.000 em 108 meses, se adicionarmos os 90 dias de carência, a parcela mensal ficaria perto de R$ 226,78 e o total pago subiria para aproximadamente R$ 24.491,99. Novamente, esta é uma simulação aproximada, já que os juros da carência são incorporados ao saldo, alterando a base de cálculo.

Quando alongar faz sentido

Embora o alongamento do prazo e a carência aumentem o custo total do empréstimo, existem situações em que essas opções podem ser vantajosas. Alongar o prazo pode ser uma boa estratégia quando a parcela original simplesmente não cabe no seu orçamento mensal e a redução da prestação é essencial para manter suas contas em dia. Outra situação é quando você utiliza o consignado para trocar uma dívida mais cara, como cartão de crédito ou cheque especial, por uma com juros muito menores, como o consignado INSS. Nesses casos, mesmo com o custo total maior no consignado, a economia mensal com a taxa de juros pode compensar.

Checklist antes de assinar

Antes de fechar qualquer contrato de empréstimo consignado, é fundamental seguir um checklist para proteger seu benefício e garantir que está fazendo um bom negócio:

  • Compare o Custo Efetivo Total (CET): Este é o valor mais importante, pois inclui não apenas os juros, mas todas as taxas e encargos do empréstimo. É o custo real da operação.
  • Verifique o valor total pago: Compare o quanto você vai pagar no final em diferentes simulações (com prazos variados e com/sem carência).
  • Leia o contrato com atenção: Não assine nada sem entender cada cláusula. Peça esclarecimentos sobre qualquer ponto que gere dúvida.
  • Contrate apenas por canais oficiais: Desconfie de ofertas por telefone de quem ligou para você ou de links enviados por SMS/WhatsApp. Procure a instituição financeira diretamente em seus canais reconhecidos.
  • Nunca pague adiantado: Instituições financeiras sérias não pedem dinheiro para liberar um empréstimo. Isso é um sinal clássico de golpe.
  • Desconfie de taxas muito abaixo do mercado: Se a oferta parece boa demais para ser verdade, provavelmente não é.

Perguntas frequentes

O que significa consignado 108 meses? Significa que o empréstimo consignado do INSS pode ser pago em até 108 parcelas mensais, o que equivale a um prazo de 9 anos. Essa condição visa reduzir o valor das parcelas, tornando-as mais acessíveis.

A carência de 90 dias é gratuita? Não, a carência de 90 dias não é gratuita. Durante esse período, os juros continuam incidindo sobre o valor principal do empréstimo, sendo somados ao saldo devedor. Isso resulta em parcelas futuras um pouco mais altas e um custo total maior para o empréstimo.

Qual é o teto de juros do consignado INSS? Atualmente, o teto de juros para o empréstimo consignado do INSS é de 1,85% ao mês. É importante comparar as taxas oferecidas pelos bancos, pois muitas vezes é possível encontrar valores abaixo do teto.

Posso usar o consignado para quitar outras dívidas? Pode ser uma opção para trocar dívidas mais caras, como as de cartão de crédito ou cheque especial. As taxas de juros do consignado são geralmente bem menores, o que pode gerar economia. Faça a conta do total pago antes de decidir.

Se ainda ficou alguma dúvida sobre o seu consignado, a equipe da RevisaPrev pode ajudar. E lembre-se: a RevisaPrev nunca cobra nada adiantado.

Escrito por

Fabíola Carmo

  • Especialista previdenciária da RevisaPrev
  • Formada em jornalismo em 2023
  • Especializada em negócios e experiência do cliente

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